12/12/2017


Do Éden à Luxúria é o primeiro livro de uma trilogia intitulada O Círculo dos Imortais e vai nos contar a história de Melissa, uma adolescente de 17 anos com uma personalidade um tanto quanto difícil. Ela mora em uma pensão, cujo a dona é amiga de sua mãe. Ela possui dois melhores amigos: Daryl e Megan, eles são completamente diferentes e se odeiam.

Toda a história tem seu começo real quando Megan convence Melissa de ir a um bar super estranho e sinistro chamado Devil's Throat do ingles 'garganta do diabo' suas bestas né? Com um nome desses não tinha porque dar errado né? BOM, no meio do rolê a Melissa acaba desmaiando e é socorrida por William, um rapaz super misterioso e gato. É depois desse acontecimento que tudo começa a mudar.

Melissa tem pesadelos e começa a ter visões, de repente ela precisa entender tudo que anda acontecendo com ela e conciliar isso tudo com sua vida comum de adolescente como ir as aulas, sair com os amigos e se apaixonar por William.

O livro da Ananda V. é levemente grandinho, o que me assustou no começo. Não que eu tenha medo de livro grandes, eu adoro. Mas é que minha leitura foi feita no kindle e eu fico aflita de não ver fisicamente o quanto eu já li e quanto falta para acabar. Mas a narrativa é tão bem feita que isso não me incomodou tanto, a autora consegue te prender facilmente na história que ela tá contando e você quer saber mais e mais sobre tudo que rola na vida da personagem.

É incrível também como ela deixa um ar de mistério no ar, quando notei que havia algo errado com William eu já comecei a minhas teorias sobre o que era e acabei mudando de palpite e mesmo estando certa desde o início eu fiquei surpreendida de como ela me fez mudar anteriormente. O mais incrível também é que ela não precisa usar a palavra para dizer o que ele é. Adorei demais isso.

Mas há uma coisa que me incomodou na história... nada muito crucial ou que me fez desistir ou mesmo desanimar: as constantes descrições das roupas que Melissa usava ou o que estava escutando, me pareceu forçado em alguns momentos como se fosse necessário para a personagem se auto afirmar rebelde do jeito que ela é. O que pode até ter sido a intenção, não sei. Mas na minha opinião poderia ser um pouco menos frequente.

Mas fora isso é um livro excelente e fiquei surpresa com o quanto eu gostei. Isso porque eu não ando muito na vibe de histórias fantásticas ou séries de livros. Ando focando mais em livros mais perto da realidade e únicos. Mas Ananda conseguiu me prender facilmente e sou grata por isso. Agora tô louca para ter o segundo livro em mãos e descobrir o que vem a seguir que tô curiosa!

*peço perdão por qualquer erro ou furo cometido nesse post, escrevi algum tempo depois de ler e posso ter esquecido alguma coisa, não desistam de mim!*


Título Original: --
Série: O Círculo dos Imortais #1
Autora: Ananda V.
Editora: Arwen
Páginas: 528
Tradução: --
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O que eu achei?
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05/12/2017


*livro recebido em parceria com a editora*

O dia em que os Correios chegou em casa com esse livro foi um dos dias mais felizes do meu ano de 2017. Passei por maus bocados esse ano, em diversos graus eu me machuquei e me decepcionei com pessoas que eram de extrema importância para mim e Anne, mais uma vez, me ajudou a superar isso e a aquecer meu coração partido.

Não sei explicar exatamente como isso acontece, mas vejo Anne como uma amiga que mora longe de mim. Isso desde a primeira vez em que tive acesso ao seu diário, quando eu tinha uns 12 ou 13 anos. Foi bem fácil essa conexão já que eu tinha quase a mesma idade que ela quando seu diário teve início. É simplesmente incrível que sempre que eu preciso de um certo conforto, ou ainda um incômodo eu encontro no diário de Anne.


Anne Frank relata eu seu diário sua vivência no esconderijo em que sua família, junto com outra família e depois com mais um homem, tentam fugir das garras da perseguição com os judeus durante a Segunda Guerra Mundial. Infelizmente, eles são descobertos depois de dois anos. O único sobrevivente foi seu pai, Otto Frank, que seguiu o desejo da filha e publicou o diário.

O diário tem início antes da família se refugiar e depois de algum tempo ali, Anne resolve que quando a guerra terminasse ela publicaria um livro baseado no seu diário. Ela então começou a editar algumas partes, melhorando seu texto e excluindo partes não tão interessantes. Mas apesar disso, ele nunca deixou de ser um diário extremamente pessoal. Apesar de ela passar informações sobre o que acontecia do lado de fora do Anexo Secreto, o foco principal é toda a confusão que ela era. Afinal, não somos todos uma junção de sentimentos e confusão?

Anne passa por muitos momentos horríveis e fica extremamente triste enquanto confinada naquele lugar, mas também há diversas passagens em que ela tenta ao máximo permanecer confiante com o que vem a seguir e feliz por estar bem. Ela é uma inspiração para mim. Suas palavras me tocam de forma que eu não consigo descrever e a adaptação para os quadrinhos é de extrema beleza!


Minha sensação ao ler esse quadrinho foi que eu estava vendo a real Anne. As ilustrações captam a essência de Anne e emociona quem está lendo. Eu não tenho muito contato com Graphic Novels mas essa com certeza me fez querer ter um relacionamento com essa linguagem. Os momentos reflexivos do diário são retratados com da melhor forma. Se eu já me sentia conectada com Anne antes, essa Graphic Novel só aumentou essa conexão. Terminei minha leitura com o sentimento de que eu finalmente tinha visto todas as facetas de Anne.

O diário de Anne é um dos relatos mais conhecido dessa época, e é por isso que eu ao ler esse livro eu gosto de pensar que eu não estou apenas lendo sobre Anne. Ela é um representação de todos que sofreram no Holocausto e o que aconteceu não pode ser esquecido.

Título Original: Anne Frank: The Graphic Diary
Autor: Anne Frank - Adaptação: Ari Folman e David Polonsky
Editora: Grupo Editorial Record
Páginas: 159
Tradução: Raquel Zampil
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28/11/2017


Quem Sabia um Dia é o livro de estreia de Lauren Graham, a maravilhosa Lorelai Gilmore de Gilmore Girls e eu estava quase que obcecada em começar a ler desde que eu virei fã dela e soube que ela tinha se aventurado no mundo da literatura. Comprei ele junto com a meio que autobiografia (na verdade não é, falarei mais sobre na resenha dele) dela, Falando o Mais Rápido que Posso e intercalei as leituras, o que foi ótimo para mim.

Isso porque no segundo livro ela conta um pouco sobre como ela decidiu começar a escrever e foi gostoso estar dos dois lados da história. De qualquer forma, o post de hoje não é sobre esse livro e sim do seu romance, então vamos falar dele.

O livro tem como protagonista a Franny Banks, uma jovem adulta que tem como objetivo deslanchar sua carreira de atriz nos 3 anos em que planeja ficar NY. Quando o livro começa, seu prazo está quase no fim o que a faz se sentir desesperada para que algo importante aconteça já que ela não quer de jeito nenhum ser aquele tipo de pessoa que vai sempre aumentando o prazo estipulado e nunca consegue nada.

Ela tem um plano formado: caso sua carreira de atriz não desse certo ela voltaria para sua cidade natal e casaria com seu namorado e se tornaria professora de inglês. O que pessoalmente eu acho um bom plano exceto casar com o antigo namorado, querida você não precisa casar só porque seu sonho de carreira não deu certo. Franny divide seu apartamento com sua melhor amiga e um amigo, ambos estão ali para tentarem seu sonho também o que torna tudo mais divertido.


Lauren Graham consegue criar personagens caricatos e profundos ao mesmo tempo e fica difícil não gostar deles, a não ser que o propósito do personagem seja ser meio idiota o que ela faz com perfeição também sem te levar ao sentimento de raiva total. Ao menos comigo foi assim, personagem não é muito legal mas ele é tão humanizado que não tem como sentir uma profunda aversão por ela.
Depois de alguns capítulos eu tive uma leve impressão que o tamanho do livro era desnecessário e que a leitura ficaria arrastada depois de um tempo e eis que eu estava redondamente enganada!

A leitura não fica arrastada em nenhum momento e só me fez querer mais e mais! É um livro extremamente divertido, tocante e emocionante que te entrega tudo que ele quer e precisa, e pra fazer isso sem te entediar em suas quase 400 páginas é preciso muito talento! Já me deparei com livros com menos de 200 páginas que me faziam querer parar na metade!

Minha experiência com Quem Sabe Um Dia não poderia ter sido melhor, apesar dos personagens serem únicos foi quase impossível não imaginar a própria Lauren como Franny ou ainda trejeitos de Lorelai em Franny. Acho que não é nenhum segredo que apesar de não ser autobiográfico, Lauren traz para o seu livro várias situações reais no meio do showbiz. É lindo e inspirador ver Franny batalhando por seu sonho apesar de toda as dificuldades e situações embaraçosas que precisa enfrentar. Agora tudo que espero é que Lauren Graham nos presenteie com seu talento de escritora por um bom tempo! Tenho certeza que só vai vir coisa boa!

Título original: Someday, someday, maybe: a novel
Autora: Lauren Graham
Editora: Grupo Editorial Record
Páginas: 367
Tradução: Elaine Moreira
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21/11/2017


E eis que 2017 teve um burburinho bem marcante. Seu nome é The Handmaid's Tale. A grande nova série da Hulu, sistema de streaming igual Netflix que infelizmente não está disponível no Brasil, estava entre nós e de repente todos estavam comentando. Falando a verdade, eu não conheci a série por causa do borburinho em si, mas sim por grupos de Gilmore Girls que divulgavam a série pois a Alexis Bledel, que deu vida a nossa amada Rory Gilmore, participava da produção. Como uma boa fã, fiquei curiosa e pesquisei sobre mas acabei só vendo algumas fotos e segui a vida. Não conheci pelo burburinho de fato, mas foi ele que me instigou a ver a série.

Quando percebi, estava rodeada de artigos falando da importância da série e com postagens da Rocco que divulgava fortemente sua nova edição do livro "O Conto da Aia" que deu origem a adaptação. Saber que era baseado em um livro aumentou ainda mais a minha vontade de conhecer essa história e tive que me segurar muito para não devorar os 10 episódios antes de concluir minha leitura.

O livro foi publicado pela primeira vez em 1985 e voltou com tudo esse ano por conta da adaptação pela Hulu mas a história já teve duas outras adaptações em formato de filme e ópera. Narrado em primeira pessoa, o livro nos conta a história de Offred, uma aia que vive como uma prisioneira em sua nova casa. Ambientado em Gilead, que antes se localizava os Estados Unidos, essa sociedade agora segue uma teonomia cristã militar imposta por um golpe de um grupo denominados "Filhos de Jacó". Seguindo a "palavra divina", todas as mulheres perdem seus direitos e são divididas em categorias e possuem uma função específica. As aias são mulheres férteis que são obrigadas a viverem nas casas de homens da elite e serem estupradas até engravidar.


Isso porque devido a uma catástrofe nuclear, um grande números de pessoas se tornaram estéreis e a taxa de natalidade foii lá para baixo, o que preocupa toda a população. De qualquer forma, nessa sociedade as mulheres não são vistas como indivíduos mas sim como suas funções. E é absolutamente assustador quando você pensa nessa sociedade. Com tudo que anda acontecendo atualmente, o que não devia passar de ficção fica cada vez mais próximo da nossa realidade. Não estou dizendo que tudo o que tem nesse livro poderia acontecer exatamente da mesma forma, mas não é segredo para ninguém que desde dos tempos mais antigos as mulheres são vistas de forma inferior e como "donas" de certas funções como se fosse determinado pelo nosso sexo.

Há inclusive uma cena em que o comandante dizr numa conversa com a Offred dizendo que deram mais do que tiraram e os argumentos são simplesmente fantásticos:

Não se lembra do terrível abismo entre as que podiam conseguir um homem com facilidade e as que não podiam? Algumas delas ficavam desesperadas, passavam fome para ficarem magras, enchiam os seios de silicone mandavam cortar pedaços do nariz. Pense na infelicidade humana. [...] Da maneira como fazemos, elas conseguem um homem, ninguém é excluído. E depois, então, se de fato se casassem, podiam ser abandonadas com uma criança, duas crianças, o marido podia simplesmente achar que estava farto e largá-las, desaparecer, elas tinham que ficar às custas dos serviços sociais do governo. Ou então o marido ficava por lá e batia nelas. [...] não recebiam nenhum respeito pelo fato de serem mães. Não é de se espantar que estivessem desistindo da coisa inteira. Da maneira como fazemos estão protegidas, podem realizar seus destinos biológicos em paz.[...]

Conseguem notar que todo seu argumento vai pro lixo quando você pensa um pouco mais profundamente sobre como uma situação chega nesse estado? As mulheres não ficariam "desesperadas" e mudariam seus corpos se não houvessem um padrão de beleza que é praticamente impossível de ser alcançado. E o fato de serem abandonadas com filhos não é de forma alguma culpa da mulher e sim da pessoa que a abandona, o mesmo pra a agressão. O livro também traz um julgamento terrível se a mulher fizesse algo contra a vida. Em uma das lembranças de Offred de quando ela estava "em preparação" para ser mandada para um comandante junto com outras mulheres, há o relato de Janine em que ela conta do estupro coletivo que acabou numa gravidez que ela interrompeu. E o modo como as Tias do lugar obrigam todas a fazer Janine acreditar que o que lhe aconteceu era culpa dela e que Deus permitiu que isso acontecesse para lhe ensinar uma lição é simplesmente aterrorizante.

Eu não conhecia Margaret Atwood antes de todo o burburinho, mas sinto que a conheci num momento apropriado para minha idade e toda a situação atual. O livro dela me faz querer lutar cada vez mais para que nós não tenhamos que enfrentar na pele situações como a de seu universo, e na minha opinião é um livro que todos devem ler durante a vida.

Título Original: The Handmai's Tale
Autora: Margaret Atwood
Editora: Rocco
Páginas: 366
Tradução: Ana Deiró

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09/09/2017


E pra fechar o ciclo que eu mesma fiz aqui nesse blog, hoje eu venho falar um pouco sobre a adaptação cinematográfica de Les Misérables! Já fiz um post falando sobre a versão brasileira da peça, você pode ler clicando aqui.

Vamos lá, o filme conta a história de Jean Valjean que foi preso depois de roubar um pedaço de pão para alimentar os filhos de sua irmã. Ele acaba ficando 19 anos nas galés, sua pena é gigante pois aumentava sempre que ele era pego tentando fugir. Ao fugir de sua condicional Valjean é perseguido sua vida toda por Javert, inspetor da polícia. Valjean tenta viver sua vida de forma honesta depois de um gesto de amor do Bispo de Digne.

Durante sua trajetória ele conhece Fantine e promete que vai cuidar de sua filhinha, Cosette. Após um pulo no tempo, vemos Cosette já crescida e se apaixonando por Marius, um estudante que faz parte do grupo que vai participar da revolta de junho de 1832. Há também os Thénardier, família que Fantine pagava para cuidar da pequena Cosette e que são pais de Eponine, que é extremamente apaixonada por Marius. E não podemos esquecer de Gavroche, um menino de rua muito esperto e talvez o melhor personagem.

O filme foi lançado em 2012 e a trouxa aqui não quis ver no cinema na época, me arrependo até hoje, quando ele foi lançado eu ainda não era tão ligada em musicais e acabei não tendo tanto interesse assim. Fui ver só depois e porque minha prima e minha irmã me obrigou, acabou que eu não entendi nada pois não prestei atenção e fui taxada como sem coração HAHAHA MAS algum tempo depois disso eu resolvi ver sozinha e por livre e espontânea vontade e AMEI.

E assim que minha relação com Os Miseráveis começou! Desde então eu assisti ao filme diversas vezes, chorei em todas e resolvi que iria ler o livro na íntegra. Primeiro grande clássico que eu quis ler, coragem. Mas amei demais e você pode saber um pouco mais sobre clicando aqui. 

Como deixei mais do que claro na minha postagem sobre a peça, Les Mis me mudou completamente e isso se deu pelo filme. E agora tendo visto a peça que deu origem ao filme, isso porque essa adaptação é baseada na peça e não no livro propriamente dito, eu consigo ver o quão bem feito ele é. Não era realmente nenhuma surpresa já que ele sempre foi um filme lindíssimo esteticamente falando, isso sem contar os atores que arrasam toda vez que aparecem na tela. Todos são extremamente bons e com uma voz de arrepiar qualquer um!

Fico chocada cada vez que conheço alguém que nunca assistiu a essa adaptação. Mas existe ainda, então se você é uma dessas pessoas eu te imploro! Pegue um tempo e vai assistir a esse filme pois ele merece o seu tempo e quem sabe você não se apaixona pelo gênero? 

Título Original: Les Misérables
Gênero: Drama/Musical
Direção: Tom Hooper
Duração: 152 minutos
País: Reino Unido
Ano: 2012

08/09/2017


Tomei vergonha na cara e finalmente vim falar de 'Os Miseráveis'.
E eu sumi legal do blog, já peço desculpas. Tive alguns problemas pessoais e fiquei beeeem desanimada com tudo e não fiz quase nada além de dormir, comer e ir pra faculdade. Mas, tô tentando ficar melhor e voltar a ativa!
Parte do sumiço se deve a minha fuga de vir escrever sobre o melhor livro que eu já li, isso porque quando eu faço um post para o blog é como se fosse aquele momento em que você pega o livro e guarda na sua prateleira. Acabou aquela leitura, vamos pra próxima. Acho que eu não queria deixar de lado meu francesinho, não fazer o post era uma forma de deixar a experiência ativa. Mas, uma hora eu precisava fazer isso não é mesmo?

Então vamos lá! 
Assim como meu post sobre o musical Les Mis (que você pode ler clicando aqui), esse post vaia caber sendo bem mais emotivo. Acontece gente, não tem como ser diferente! Eu idolatro e lambo o chão de onde Os Miseráveis passa. ¯\_(ツ)_/¯

Os Miseráveis foi publicado em 1862 não só em Paris como em outras cidades do mundo simultaneamente (incluindo Rio de Janeiro!). A história se passa na França no século 19 e antes de mais nada, NÃO SE PASSA NA REVOLUÇÃO FRANCESA! Não achem que gritei, é só pra deixar em destaque mesmo pois sempre tem alguém que acha isso, mas não. A Revolução Francesa aconteceu em 1789 e nossa história tem início em 1815, okay?

Bom, é bem difícil explicar todo o enredo do livro já que diferente do filme que é bem focado em Jean Valjean, o livro coloca seu foco em cada um dos principais personagens em determinado momento. Isso porque Victor Hugo pega todos esses personagens e conta suas histórias como se fosse uma teia, assim todos possuem uma certa ligação com os outros. 
Particularmente, eu acredito que Jean Valjean é sempre visto como o "mais principal" pois de certa forma, vendo a história de forma cronológica, tudo tem início com ele. Mas ainda assim é complicado, já que tudo tem um porque passado.... AAAAAH! Enfim, vamos pegar ele como ponto de partida e falar mais ou menos a história tratada aqui.

O livro conta as histórias de personagens a margem da sociedade como ex-presidiários, prostitutas, meninos de ruas e as pessoas miseráveis do séculos 19. Jean Valjean é o grande herói da história, pelo menos para mim, ele foi preso ainda novo por roubar pão para alimentar os filhos de sua irmã. Ele acaba passando 19 anos nas galés pois sua pena aumentava sempre que era pego tentando fugir. Ao ser solto, ele passa por diversas rejeições e não consegue trabalho e nem ao menos um lugar para dormir, tudo porque ele tem o título de ex-prisioneiro. Eis então que ele é acolhido pelo Bispo de Digne, é importante dizer que Jean Valjean não era realmente alguém perigoso ou mau, mas ele mudou e ficou endurecido por causa tudo que lhe aconteceu na vida e quando tem uma oportunidade, rouba as pratarias do Bispo. Mas ele é pego, ele tenta se safar dizendo que foi presente do Bispo e quando a polícia o leva até a casa do Bispo para lhe devolverem as pratarias, ele confirma a história de Jean Valjean.

E é ali, com esse gesto de compaixão que Jean Valjean muda completamente. 
Ele usa as pratarias para se tornar um homem novo e honesto e faz de tudo para viver de forma correta seguindo as leis de Deus, ajudando a todos que passam por sua vida. Ele até consegue solucionar um certo problema em uma cidade e constrói um império e emprega várias pessoas dali. Fantine é uma dessas pessoas. 

Fantine é uma jovem que é obrigada a deixar sua filhinha Cosette com a família Thénardier pois teme que não conseguirá emprego sendo uma mãe solteira. Ela paga essa família para que cuidem de sua filha mas nem imagina que aquelas pessoas são lá flores que se cheirem. Eles tratam a garotinha como uma escrava e pega todo o dinheiro que Fantine manda. O que acaba sendo sendo frequente já que os Thénardier vivem dizendo que a pequena Cosette está doente e precisa de remédios caros. Tudo desmorona quando Fantine é despedida e para continuar mandando dinheiro ela vende tudo que tem e acaba na prostituição.

Numa noite Jean Valjean, que nessa época era conhecido como Senhor Madeleine, salva Fantine que já está muito doente, de Javert que pretende prendê-la. Javert é um inspetor que vive atrás de Jean Valjean desde que ele sumiu do mapa. A princípio Javert não reconhece o ex-prisioneiro mas acaba suspeitando mais adiante. De qualquer forma, Senhor Madeleine promete a Fantine que irá cuidar de sua filhinha. A partir daí, Valjean adotando Cosette, sua vida se resume a fugir das garras de Javert. Há então um salto no tempo que somos apresentados a outros personagens muito importantes como Marius e Gavroche. Não vou falar mais nada do enredo pois ficaria horas e horas escrevendo e no fim não falando nem metade do que acontece no livro. 

O livro é aberto com a citação mais linda que eu já li:
Enquanto, por efeito de leis e costumes, houver proscrição social, forçando a existência, em plena civilização, de verdadeiros infernos, e desvirtuando, por humana fatalidade, um destino por natureza divino; enquanto os três problemas do século - a degradação do homem pelo proletariado, a prostituição da mulher pela fome, e a atrofia da criança pela ignorância - não forem resolvidos; enquanto houver lugares onde seja possível a asfixia social; em outras palavras, e de um ponto de vista mais amplo ainda, enquanto sobre a terra houver ignorância e miséria, livros como este não serão inúteis.

Lindo pois já podemos ter uma ideia de quão fantástico é a escrita de Victor Hugo e também linda pois logo no início do livro, antes mesmo da narrativa propriamente dita começar, o autor já nos diz o que vai ser tratado, discutido e denunciado em suas mais de mil páginas de história. E particularmente me assusta pois agora, 155 anos depois dessas palavras, nós continuamos enfrentando os mesmos problemas que Victor Hugo nos descreve. É assustador que depois de tanto tempo nós continuamos quase que no mesmo lugar. Me parece que todo o progresso não passa de ilusão.

Mas isso também faz parte da genialidade dessa obra, Victor Hugo sabia que seus personagens poderiam ser identificados independentemente do lugar ou época. Pois o mundo é cheio de Jean Valjens, Fantines, Cosettes, Marius, Eponines e Gavroches. Não é atoa que o sucesso de Os Miseráveis continua forte assim como foi na época.

Desde o começo da leitura eu pude perceber o quão gostosa seria a narrativa do autor, admito que fiquei com medo de não conseguir acompanhar o contexto histórico, ainda mais sabendo que eu sou extremamente perdida com história, mas Victor Hugo nos conta tudo explicadinho e fica difícil não gostar de ler Os Miseráveis. Mesmo suas digressões são bem delícia de ler, tirando uma ou outra que acaba sendo um pouco cansativa. O negócio é que o autor sabe vender seu pão. Tudo que ele descreve é verossímil, mesmo que não seja verdade.

Logo após minha leitura eu li também o livro A Tentação do Impossível de Mario Vargas Llosa e contrariando o que disse logo no início dessa postagem, essa segunda leitura me fez concordar com Mario e acredito fortemente que quem protagonista nossa história é o Narrador.

Presença constante, arrebatadora, a cada passo ele interrompe o relato para opinar, às vezes em primeira pessoa e sob um nome que quer nos fazer acreditar é o próprio Victor Hugo, sempre em voz alta e cadenciada, para interpolar reflexões morais, associações históricas, poemas, lembranças íntimas, para criticar a sociedade e os homens em suas grandes intenções ou suas pequenas misérias, para condenar seus personagens ou elogiá-los.

Llosa também diz que apesar do Narrador tentar sempre nos fazer acreditar que ele o que ele nos narra é a mais pura verdade, ele não passa de um astuto fazedor de uma grandiosa mentira. E ainda diz que conforme a leitura avança, o leitor se submete a ditadura do Narrador. E olha, isso faz muito sentido. Quando comecei minha leitura eu questionava o que estava sendo descrito, ainda mais por ser perdida na história então queria saber além do que estava sendo contado, mas conforme fui avançando eu simplesmente comecei a aceitar os fatos narrados sem me preocupar se eram fatores reais ou ficção. Não importava pois era real para mim e para a história.

Em suma, a história de Os Miseráveis tende a ser religiosa. 
Tende não, ela realmente é religiosa. 

Mas apesar de toda a falsidade que o Narrador cria, ele consegue deixar sua história muito perto da realidade. Não sei vocês mas um romance me encanta quando nele há coisas mundanas e comuns no meio de toda a trama. Eu simplesmente não consigo engolir uma história em que acontecimentos gigantescos acontecem a todo o momento. A vida é tédio também. Espera, dramas, tristezas, felicidades momentâneas e tédio novamente. O Narrador deixa seus personagens viverem suas vidinhas mas os levam até suas ratoeiras, um local e situação em que todos seus personagens mais importantes se encontram para resolver alguma coisa.

Se você for ler Os Miseráveis, é importante levar em consideração a época em que ele foi escrito e seu estilo. Acredito que qualquer um pode se apaixonar por essa história, se ler de coração aberto. Há coincidências, os personagens são exagerados conforme suas maiores características e há as grandes interrupções do Narrador. Mas com calma você passa por todas as suas páginas e chora de tristeza por ter acabado (eu chorei horrores). Não tenha medo desse clássico tijolinho, vale a pena!

Ah, e leia A Tentação do Impossível também, vai abrir seus olhos para coisas que você nem ao menos pensou ao ler Os Miseráveis. ^-^

Título Original: Les Misérables
Autor: Victor Hugo
Editora: Cosac Naify
Páginas: 1976
Tradução: Frederico Ozanam Pessoa de Barros
COMPRAR: Penguin Companhia | Martin Claret

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