O Escafandro e a Borboleta, de Jean-Dominique Bauby (#10)

by - terça-feira, novembro 29, 2016

Título Original: Le Scaphandre et le Papillon
Autor: Jean-Dominique Bauby
Editora: wmf Martins Fontes
Páginas: 127
Tradução: Ivone Castilho Benedetti
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não me cativou | okay | legal | me cativou | amei demais | alma gêmea | ONDE ESSE LIVRO TAVA SE ESCONDENDO?

São tantas emoções sobre esse livro que nem sei como lidar. Primeira vez que ouvi falar sobre "O Escafandro e a Borboleta" foi por causa da minha professora de francês quando ela nos passou uma lista de filmes franceses para ver. É, meu primeiro contato foi pelo filme. Mas eu nem assisti por causa da indicação da professora. Fui assistir só uns dois anos depois, esse ano, para fazer um trabalho da faculdade sobre perdas e o processo de luto.

Por já saber mais ou menos a história eu sabia que poderia usá-lo então finalmente assisti. E que filme. MEU DEUS. Que filme. Acho que foi o filme que mais me fez chorar em toda a minha vida. Depois dessa experiência MARAVILHOSA eu fiquei louca pelo livro. E logo que pude comprei. Devorei ele em dois dias.

"O Escafandro e a Borboleta" é um livro de memórias de Jean-Dominique Bauby, jornalista e redator-chefe da revista Elle. Em 1995 ele sofreu um AVC e entrou em coma. 20 dias depois, ao acordar, descobre que havia perdido a capacidade de se mover e falar, podia apenas piscar o olho esquerdo.

Nessa rara condição, chamada Síndrome do Encarceramento, os movimentos do corpo todo param de funcionar porém as faculdades mentais não. E nosso livro se inicia com Jean-Dominique nos contando sobre sua atual condição.
 
Quando iniciei minha leitura eu não consegui acompanhar o que estava sendo contado. Acho que nem sempre não saber o que esperar é a melhor coisa. Nesse caso por exemplo, comecei a ler achando que Bauby me contaria sobre sua vida e sua condição de forma linear mas não é o que acontece. Cada capítulo é uma memória de algum momento da vida dele antes do acidente e as vezes depois.
"Mithra-Grandchamp são as mulheres que não soubemos amar, as chances que não quisemos aproveitar, os instantes de felicidade que deixamos escapar. Hoje me parece que toda minha existência não terá sido senão um encadeamento desses pequenos fiascos. Uma corrida cujo resultado conhecemos, mas cujo páreo somos incapazes de embolsar." (pág 96)
O que Bauby faz na verdade é uma reflexão da sua própria vida, se arrepende do que não fez e se sente culpado por não ter mais a chance de se redimir. Ele tenta manter o seu humor, e enfrenta da melhor maneira que pode sua situação.  

Vemos claramente os seus momentos de felicidade por uma lembrança o que nos passa uma certa esperança. Mas também vemos momentos de total desânimo e sua desistência e perda do seu eu.
"Uma onda de tristeza me invadiu. Théophile, meu filho, está ali, sentadinho, com o rosto a cinquenta centímetros do meu, e eu, o pai, não tenho mais o simples direito de passar a mão naquela cabeleira vasta, de beliscar aquele cangote aveludado, de estreitar até deixar sem fôlego aquele corpinho macio e tépico. Como descrever? É monstruoso, iníquo, revoltante ou horrível?" (pág 77)
Depois dos vários vai e vem de sua vida, Bauby encerra seu livro com detalhes do último dia de sua vida antes do AVC. E em seu último capítulo há uma reflexão muito bela de sua parte para com a morte. De que talvez exista algum lugar onde ele estará livre novamente. Fora de seu escafandro.

Essa postagem foi muito mais um resumo. É difícil tirar interpretações de um livro de memória. Não acho que seja certo tirar muitas conclusões sobre, afinal, ele me mostrou a vida dele. Como julgar isso? Não estou nessa posição.

Talvez você tenha se perguntado: "Mas como ele escreveu esse livro afinal? Ele não perdeu todos seus movimentos?"

Jean-Dominque se comunicava através de um alfabeto organizado de acordo com sua frequência na língua francesa.

E S A R I N T U L O M D P C F B V H G J Q Z Y X K W

Assim, quem estivesse conversando com ele falaria o alfabeto nessa ordem até que com uma piscada Jean-Dominique indicava a letra a ser anotada. E foi assim que esse livro nasceu. Letra por letra. E que livro lindo. A escrita de Jean-Dominique é muito bonita e emocionante. Ele tinha uma ótima mente.

O livro "O Escafandro e a Borboleta" foi publicado em 1997 e Jean morreu apenas dez dias após sua publicação, em consequência de uma pneumonia.


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2 comentários

  1. Amei, lendo o que você escreveu fiquei muito curiosa pra ver o filme ou ler o livro. Deve ser realmente muito bom.

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    1. Fico feliz de ter conseguido atrair sua atenção!
      Se não em engano, o filme tá no catálogo da netflix!

      Beijos

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