10/01/2017

Laranja Mecânica, de Anthony Burgess (#14)

A verdade é que mesmo sendo super popular eu não fazia ideia do que se tratava Laranja Mecânica. Descobri só esse ano quando vi várias resenhas sobre o livro e achei genial. Antes de querer ler eu já tinha tentado ver o filme, mas não dei conta. Achei idiota. Mas como já disse, não fazia ideia do que se tratava e não consegui seguir o ritmo. Aliás, vamos anotar pro futuro: sempre leia sobre a história. Quase nunca dá certo ler/ver sem saber pelo menos um pouco sobre.

Laranja Mecânica foi publicado 1962 e apesar de ser o mais famoso, o autor deixa bem claro que não é o seu livro favorito. Ele até admite que não escreveu com toda a intenção crítica que ele aborda, seu objetivo era apenas pagar contas.

A história se passa num futuro próximo aonde a violência corre solta e as pessoas não se sentem seguras, principalmente a noite. Ele é narrado em primeiro pessoa pelo Alex, um adolescente de 15 anos e ele nos conta sua história de forma bem informal, como se ele tivesse na sua frente conversando como se fosse seu parça. Devo dizer que adoro livros assim, adoro ouvir a história como se eu fosse super amiga do narrador.

Alex é líder de uma gangue que passa todas as noites juntos se drogando e cometendo atos de ultraviolência... coisas como roubar, brigar, espancar, estuprar e matar. Normal. Eles parecem ser super amigos e fiéis mas Alex acaba se desentendendo com um dos seus druguis o que deixa o clima tenso entre eles. E então, numa noite seus companheiros entregam Alex que acaba preso.

Após um tempo preso, ele é submetido a um tratamento que promete lhe deixar apto para voltar a sociedade em pouco tempo. Alex vê isso como uma oportunidade de deixar a prisão antes e topa fazer parte, acontece que o tratamento consiste em um tipo de lavagem cerebral  que tem como objetivo tirar a maldade da pessoa, fazendo ela se sentir mal perante a qualquer tipo de violência.
E pra mim, essa parte foi a pior de todo o livro. Alex narra coisas horríveis que ele fez mas ver ele indo de braços abertos ao tratamento e não saber o que lhe espera é desesperador. Ele fica confuso e não entende o que tá acontecendo nos primeiros dias. E isso é bem triste.

Anthony usa Alex para falar de livre arbítrio e é genial nos mostrar essa questão aos olhos de uma pessoas má. É muito mais fácil defender o direito da pessoa escolher fazer o que deseja quando essa pessoa só faz o bem (o que aliás, meio impossível porque afinal o que é "fazer o bem"?). Agora, ao nos mostrar a face de Alex, um garoto naturalmente mau o jogo vira. Se todos temos o livre arbítrio isso inclui as pessoas que matam e batem simplesmente porque se sentem bem fazendo isso.

Claro que há toda a questão de se comportar de certa forma para o bom convívio em coletivo. Mas isso é outra questão. Não cabe a mim falar disso agora.

Pra mim, o foco real de Laranja Mecânica é abordar o bem e o mal e pensar em como isso é muito subjetivo. Alex é mau, mas também é o Estado ao tentar mudá-lo a fim de deixar a cidade mais segura. Ele está corrompendo um ser humano e fazendo isso também se corrompendo. 

MEU DEUS. NÃO TÔ CONSEGUINDO SUPERAR ESSE LIVRO.

Acho importante pensar nisso. Até que ponto podemos interferir na vida alheia para um "bem maior"? É possível tomar medidas que beneficiem a todos? No caso do Alex, ele não precisou sofrer e ser privado do que lhe fazia feliz para que o bem fosse garantido? Não sei vocês, mas eu concordo completamente com o Anthony ao dizer que:

"É melhor ser mau a partir do próprio livre arbítrio do que ser bom por meio de lavagem cerebral científica."

Tá, mas agora falando um pouco da linguagem... se você já leu e/ou viu o filme já sabe, mas se você não fez nenhum dos dois é bem provável que se assuste no início já que Anthony criou toda uma nova linguagem usada pelos jovens. Se chama nadsat e é uma mistura de inglês com russo. Nessa edição de 50 anos da Aleph tem um texto massa falando sobre a tradução. Não pule o texto.

Essas gírias incomodam mas é super necessária, ao meu ver, para que você realmente se sinta introduzido no mundo de Alex. Como é ele mesmo que conta sua história faz total sentido. Simplesmente não dá pra um adolescente falar com você sem usar um tico que seja das gírias que eles usam.

Os livros normalmente tem um glossário no fim, e eu até usava no começo. Mas depois que desisti  e fui lendo e pegando os significados no contexto, minha leitura acelerou bastante. Recomendo não seguir o glossário, sua experiência vai ser bem mais legal, juro.

Então é isso pessoal, eu amei muito esse livro. Mais do que imaginei. Achei que seria apenas mais um livro divertidinho de ler mas nem foi, Ele me tocou, e espero que toquem vocês também.
Comentem aqui se vocês já leram o livro ou viu o filme e digam o que acharam, até mais!

Título Original: A Clockwork Orange
Autor: Anthony Burgess
Editora: Aleph
Páginas: 350
Tradução: Fábio Fernandes
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2 comentários:

  1. Adoro Laranja mecanica.No começo é meio dificil de ler por conta das girias deles,mas depois a gente acostuma.Otia resenha.

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    1. sim, o que mais pega são as gírias.
      obrigada!

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