Log#1525, de B. Demetrius (#35)

  • quarta-feira, julho 05, 2017
  • By Aline Lanis
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Olá meus amores, como vocês estão? O livro de hoje é um livro muito interessante, isso porque: ele é uma ficção-científica nacional, o que eu nunca tinha tido contato antes (inclusive, se alguém tiver alguma indicação, pode comentar aqui!) e também pelo enredo e a forma de narrar que o autor usa. Mas eu ainda vou chegar nisso, primeiro vamos falar um pouco do autor.

B. Demetrius é formado em Comunicação Social pela PUC Minas. É diretor de arte, ilustrador, redator e escultor - especializado em design de personagens e monstros. Ele divide seu tempo entre seu trabalho como professor e a escrita. Ele é apaixonado por ciências, videogames, viagens espaciais e rock'n'roll desde a infância. Ou seja, ele escreve sobre o que ele ama. Maravilhoso, continue assim.

É difícil falar sobre Log#1525 sem que alguns spoilers acabem aparecendo. Assim, tudo o que vou dizer aqui não se encaixa no que eu considero um "spoiler", mas já deixarei avisado porque talvez pra você seja. A verdade é que o tema principal do livro pode ser várias coisas. Seria Log#1525 sobre um homem perdido num lugar estranho? Ou ainda sobre o isolamento e como isso é prejudicial para nós, seres sociais. Ou ainda sobre o estranho impulso de sobrevivência que nós carregamos em nossa natureza?

Em suma, é óbvio, o livro se trata de tudo isso. Mas acho interessante que de uma forma ou de outra, isso acaba sendo muito pessoal. E isso se encaixa com qualquer livro. O que o autor quis passar e contar em sua história conta muito, mas também acredito que a interpretação pessoal de cada leitor é de grande importância também. É praticamente impossível passar a mesma mensagem para todo mundo de forma eficiente. Olhem só "Os 13 Porquês" como exemplo, muitos criticam que a forma como o suicídio é abordado é algo muito negativo para quem recebe, mas a mesma história acaba chegando de forma positiva em outras pessoas.

Mas voltando ao livro, a história é basicamente sobre Major, um astronauta brasileiro que desperta em um pequeno e frio planeta, isso depois de uma longa viagem espacial. Sem sinais de onde sua nave ou o resto da tripulação estão, Major se encontra completamente sozinho naquele planeta desconhecido e se vê obrigado a explora-lo, isso movido a uma grande esperança, para que talvez consiga voltar para casa.

Um ponto muito interessante é que apesar de estar sozinho, ao ler nós não sentimos muito desse grande desespero que o isolamento pode trazer e isso se deve ao fato de que Major possui um implante cerebral  B.O.R.I.S. que lhe oferece auxílio já que com isso ele pode ter acesso com o sistema de bordo da nave. Como o BORIS se comunica com nosso protagonista, e devido a não ter mais nenhum humano ali com ele, Major se agarra a sua única "companhia" e mantêm constantes conversas com o sistema.

São essas "conversas" que tiram um pouco do peso do livro. Apesar de eu amar um drama forte e pesado (Deus sabe que eu me apaixonei por Precisamos Falar Sobre o Kevin), eu entendo que foi uma decisão inteligente deixar o clima mais leve na maior parte do tempo, mas sendo sincera eu com certeza teria adorado mais ainda se fosse uma leitura que me fizesse passar mal lendo masoquista eu? mas claro, isso é muito pessoal. E talvez seja a psicóloga em mim falando já que é um tema que eu amo muito.


O isolamento de Major nos faz pensar se o que nós estamos lendo aconteceu de fato. No início do livro eu até fiz algumas teorias loucas do tipo, que ele estava dormindo e tudo aquilo fosse sonho. Há várias passagens em que ele jura de pé junto que ouviu algo mas o sistema em seu cérebro não capta nada. Aliás, lembrei de outra teoria: nessa o B.O.R.I.S. era um sistema maligno que tinha como objetivo destruir Major e dominar seu corpo. Essa é mais interessante, eu acho.

O livro é separado em 15 lotes de dados em que em cada um deles há um tanto de registros nomeados de Logs. E devo dizer que isso a princípio me chamou muita atenção, se você já lê meu blog provavelmente já sabe que eu amo capítulos curtos então ao ver a narrativa feita de forma curta dessa forma, eu fiquei muito feliz. Mas conforme fui lendo eu senti falta da forma tradicional de separação em capítulos. Deixo claro que esse tipo de estrutura é muito bem bolada e faz total sentido por conta da história, isso porque esses logs que nós temos em mãos são os registros de Major então ele não nos conta tudo como num livro comum contaria. A história pessoal dele é bem vaga e seus registros são boa parte objetivos apenas para uma consulta futura. Sem contar que há logs que nós não temos acesso e por isso a história fica um pouco picada e aberta a interpretações.

Vi várias pessoas falando que a premissa é bem parecida com Perdido em Marte, eu não fui influenciada por isso já que nunca vi/li só posso falar que apesar de sentir falta de uma narração convencional (seria muito legal se tivesse alguns flashbacks do treinamento de Major, ou ainda algumas experiências com o Cão), foi uma experiência muito interessante para mim que tô entrando agora no mundo da ficção científica e ainda mais na ficção científica nacional.


O maravilhoso do B. Demetrius me presenteou com essa linda edição especial autografada, com várias coisinhas juntas como vocês podem ver pelas fotos, parabéns pelo livro e pela dedicação que você tem por ele. Fiquei muito feliz de você ter confiado seu filho, espero que eu não tenha te decepcionado! ✩

Espero que vocês tenham gostado da resenha de hoje, e parece que eu não dei nenhum spoiler! Deixei o link de onde vocês podem adquirir seu exemplar lá em cima e vou deixar aqui em baixo a página do B. Demetrius para vocês poderem acompanhar o trabalho dele também. Até mais pessoal!


Título Original: --
Autor: B. Demetrius
Editora: Chiado
Páginas: 288
Tradução: --
O que achei?
não me cativou | okay | legal | me cativou | amei demais | alma gêmea | ONDE ESSE LIVRO TAVA SE ESCONDENDO?

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