Uma História Simples, de Leila Guerriero (#40)

  • sexta-feira, agosto 11, 2017
  • By Aline Lanis
  • 0 Comments

Recebi meu exemplar de "Uma História Simples" devido a parceria de ação do Grupo Editorial Record. Foi do nada, eu estava atrasada para um compromisso e entre a correria de terminar o que eu estava fazendo, trocar de roupa e pegar um livro para me acompanhar o carteiro bate palmas e grita em frente ao meu portão. Vou correndo atendê-lo, sem poder perder tempo e resolvo abrir o pacote pois eu não conseguiria não saber o que havia chegado. E eis que me encontro com esse pequeno livro com uma capa bonita e com cores que eu amo. Decido levá-lo comigo. 
Melhor decisão.

Sinto que eu precisava dessa leitura e parece que foi destino já que meu compromisso era aula de dança e o livro é sobre dança. Não danço malambo mas pude saborear os sentimentos narrados de forma mais intensa. E de quebra descobri sobre uma dança que eu não fazia ideia da existência. Na verdade eu já tinha visto homens vestidos com os figurinos mas não sabia de onde era. Mas, o que é o malambo?

"O malambo consiste na competição entre homens que se revezam no sapateado ao ritmo da música e requer grande habilidade técnica e prepara físico descomunal para ser executado. Entre dois e cinco minutos de apresentação, acompanhado de uma guitarra e um bumbo, o dançarino atinge uma velocidade que demanda destreza e a resistência de um corredor de cem metros rasos."

Em 2011 Leila Guerriero, uma jornalista argentina, foi até Laborde para contar a história de uma competição que acontece anualmente desde 1966: o Festival Nacional de Malambo de Laborde. Esse festival é ao mesmo tempo secreta e prestigiada e dura seis dias e coroa um homem que adquire a aura de herói perante o mundo do malambo. Mas há um porém, ao mesmo tempo que ser campeão de Laborde é seu ápice como dançarino ele também é seu fim. Isso porque o festival é tão prestigiado e adorado que para manter esse prestígio intocável, o campeão não participa de mais nenhum outro festival naquela mesma categoria.

Com a sutileza de uma narradora em primeira pessoa que está ali apenas pra observar e contar o que vê, Leila transmite para seus leitores a energia que permeia aquela pequena cidade nos dias de festival. O que encontramos ali são pessoas completamente apaixonadas pelo que faz, é possível sentir esse paixão passar a página a cada palavra e detalhe narrado. Os homens que ali competem são humildes e que gastam tudo o que tem para pagar aulas, treinadores, figurino e acessórios e transporte apenas para chegar ali e dançar seu malambo. É algo completamente impressionante.

O que mais impressiona é o apoio que esses homens possuem de suas famílias. Isso me choca pois na minha realidade quando alguém diz que quer percorrer seus sonhos artísticos (seja dança, teatro ou até mesmo literatura) os primeiros a dizer que não vai dar certo é justamente a família. E eu vivo em uma situação bem diferente desses homens. É lindo ver que mesmo que seus filhos passem dificuldade e lutem a vida toda para ser o campeão de Laborde, sua famílias apoiam. Claro, isso talvez seja porque no fundo todos possuem a fé que tudo vai melhorar assim que seu filho ou marido ganhar o competição. E de fato melhora. Ao conseguir ser campeão, além de toda a glória seus trabalhos começam a valer muito mais.

Há até um homem que sua história me interessou bastante pois para conseguir trabalhar e pagar sua preparação para a competição, teve que abandonar a faculdade de Antropologia. Ele explica que a faculdade estará ali para sempre mas a chance de competir em Laborde não. É mais que claro que aqueles homens fazem aquilo quase que exclusivamente por amor. E só quem tem a oportunidade de fazer o que ama sabe como é isso. Não posso explicar em palavras a felicidade que subir em um palco me traz. Sentir as luzes acima de mim iluminando meu corpo, o público ali na expectativa de ver o que eu tenho preparado. Como meu antigo professor de teatro dizia e eu concordo nada satisfaz mais do que os aplausos animados da platéia logo após ver você dar o melhor de si ali em cima.

Leila depois de um momento começa a focar seu livro em apenas um homem: Rodolfo González Alcántara. Ele acaba sendo vice-campeão de 2011 e volta a se apresentar em 2012, conseguindo o tão esperado título de campeão. Não sei nem o que dizer além de: esse livro é um dos melhores que li esse ano e sou grata por ter tido a oportunidade de tê-lo em minhas mãos. Como Mario Vargas Llosa diz sobre esse livro "Trabalho rigoroso, investigação exaustiva e um estilo de precisão matemática."

You Might Also Like

0 comentários